Análise de concorrentes. Um erro que todos empreendedores cometem

Gestão 01 junho, 2017 Jefferson Alex

Quando surge uma “boa ideia” você logo pensa: por que ninguém pensou nisso antes?

A verdade é que geralmente já pensaram e você é quem não encontrou. Isso é muito mais comum do que se pensa, a ponto de se ter uma análise por outros pontos de vista que tendem a validar uma ideia inovadora – ainda que ela já tenha alguma versão no mercado.

Ouço constantemente pessoas com ideias “inovadoras”, com pouca experiência e vislumbrados com o cenário de startups que é exibido nos palcos. Esse despreparo para os negócios faz com que os empreendedores não façam a lição de casa, deixando de pesquisar o mercado em busca de alternativas à sua ideia de negócio.

Recentemente ouço em alguns seminários a explanação de ideias inovadoras que “ninguém faz no mercado”. A grande verdade é que não houve pesquisa suficiente, seja por parte do empreendedor ou pelos seus couches/parceiros. Muitas vezes as suas inspirações são seus maiores concorrentes, possuindo a solução que você deseja entregar – mesmo que seja uma gambiarra tecnológica.

O que é um concorrente?

Basicamente, um concorrente de um negócio é todo outro negócio que faz com que o dinheiro do seu cliente não chegue até você. Ou seja, se alguém está comprando conversor digital, pode estar deixando de comprar uma TV por assinatura e também não está comprando um celular (naquele momento). Isso é um exemplo megalomaníaco, eu sei. Mas é uma explicação de como o termo concorrência é abrangente nos negócios.

Quando falamos de concorrentes do negócio/ideia, estamos analisando, muitas vezes, similares. Esses são outros negócios que entregam o mesmo que eu, mas não sou eu ou não foram criados para esse fim.

Um exemplo bem interessante de concorrência é uma empresa que deseja criar um aplicativo que mostre os pontos de laser em uma cidade, mostrando ranqueamento, usando geolocalização e um filtro de exibição e notificações, permitindo que outros usuários avaliem esse local (atribuindo pontos ou estrelas). Acrescente uma dose de gameficação a esse artefato, onde os usuários podem ter um ranking de frequência ou de avaliações, podendo trocar por descontos e recebendo notificações dos melhores lugares para seu perfil.

Não sei você, mas eu conseguiria citar uns 5 projetos que fazem a mesma coisa. Vou citar aqui o Foursquare (com seu app Swarm) e o Google Places (ou G+ com suas extensões). O primeiro possui tudo o que foi citado, incluindo gameficação e é voltado para descoberta de lugares na cidade, baseado em pontuação e ranqueamento dos lugares/frequentadores e podem ter informações atualizadas (basta o estabelecimento ou outro usuário realizar comentários, lançar promoções patrocinadas ou criar eventos na plataforma vinculadas ao seu estabelecimento).

Como não cair nessa?

O “idealizador” precisa ter em mente, simplesmente, o conceito/valor que deseja entregar ao cliente (veja o post sobre canvas, para entender a proposta de valor). Isso é algo que não está nas funcionalidades e é o que defende seu projeto no mercado, mostrando porque os usuários precisam do seu e não do concorrente.

Um exemplo de valor que diferenciaria um negócio do modelo Foursquare é algo focado em um nicho muito específico, onde os filtros precisariam ser trabalhados na linguagem do usuário ou que a interface precisasse de uma adaptação. Esse ultimo pode ser o caso de criar um app que notifique o computador de bordo do seu carro, quando você se aproximar de algum ponto favorito da cidade, ou enviando as coordenadas para o GPS sobre um evento que você vai participar.

Caso você ainda não esteja no estágio da ideia onde já pode-se identificar diferenciais, é bom dar uma “googlada” no tipo de problema que você quer solucionar com sua ideia. Isso pode te trazer possibilidades existentes e outras formas de resolvê-las – muitas vezes os usuários não querem instalar um app novo, isso é uma barreira para seu projeto e pode fazer com que os usuários nunca migrem por comodidade.

Outro exemplo, nesse sentido de gambiarras, é se o seu negócio é capaz de fazer a comunicação entre os condôminos e a gerência do seu prédio. É uma ideia bem legal, mas o que ela faz muito melhor que o WhatsApp?

Ou ainda, vamos supor que você trabalha com moda no varejo ou no atacado. Ai você pensa em uma solução, onde os usuários baixam um app com seu catálogo e podem conversar em tempo real com você, tirando dúvidas e pedindo mais informações e fotos. Mais uma vez, o que isso tem a mais que o WhatsApp já não supra?

Conclusão

Eu sempre bato na tecla de pesquisa com similares quando alguém vem me falar sobre uma ideia, pois é muito fácil o usuário achar uma alternativa mais viável e mais facilmente que você. Lembre-se de que é ele quem sente a “dor”, então ele está buscando sempre uma forma de resolver. Além disso, é preciso não cair na mesma ladainha de criar App para resolver problemas. Já existem milhões de aplicativos na Play Store (Google), muitos deles são similares, feitos por pessoas que acham que não exite ou que mudam a “skin” para tentar atrair o público dizendo que é uma nova solução.

Sempre que pensar em uma ideia de negócio, pense primeiro em pesquisar como o usuário já resolve isso hoje. Não bata de frente com soluções já consolidadas, confronte somente os valores entregues por esses. Ai está seu diferencial.

Se você está querendo criar um App que registre o consumo do seu veículo, pense em como isso será diferente de um Carango. Não somente na sua estética ou só porque você criou e distribuirá em uma cidade remota do Brasil. Negócios assim sempre morrem em um ciclo de vida curto.

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Jefferson Alex
Analista de Marketing com especialização em projetos digitais. Designer em formação, analista de sistemas e sempre em busca de aprendizado contínuo.